Brasil: uma nação evangélica?

ATENÇÃO – esse post não tem a intenção de defender ou criticar nenhuma religião em especial. O propósito é apenas informativo

Um a cada seis brasileiros já é evangélico – e o número continua crescendo. Se você quer entender o Brasil e antever o futuro, precisa antes saber como isso foi acontecer

Sérgio Gwercman, para a Superinteressante (fev. 2004)

O texano Kenneth Hagin, nascido em 1917, era uma criança doente. Desde os 9 anos, ficou confinado na casa do avô. Aos 16, desenganado pelos médicos, infeliz e preso a uma cama, tinha poucas esperanças de ver sua vida melhorar. Um ano depois, em agosto de 1934, Hagin teve uma revelação. Ele compreendeu de repente o significado de um versículo do Evangelho de São Marcos. A passagem do Novo Testamento dizia: “Tudo quanto em oração pedires, credes que recebeste, e será assim convosco”. Hagin então ergueu as mãos para o céu e agradeceu a Deus pela cura, mesmo sem ver sinal de melhora. Então levantou-se da cama. Estava curado.

A mensagem, que Hagin popularizou por meio de mais de 100 livros, é clara: Deus é capaz de dar o que o fiel desejar. Basta ter fé e acreditar que as próprias palavras têm poder. Sendo assim, para os verdadeiros devotos, nunca faltará dinheiro ou saúde. Essa doutrina ficou conhecida como “teologia da prosperidade”. A crença foi incorporada anos depois por várias igrejas. Ela é central no mais impressionante fenômeno religioso do Brasil contemporâneo: a explosão evangélica.

No começo, essa explosão se deu em silêncio, praticamente ignorada pelas classes médias. Os templos evangélicos surgiam nas cidadezinhas perdidas e nas periferias miseráveis das metrópoles. Já não é mais assim. No primeiro dia de 2004, a Igreja Pentecostal Deus é Amor inaugurou no coração de São Paulo o seu novo templo. A obra tem tamanho de shopping center, arquitetura de gosto duvidoso e comporta 22 mil pessoas sentadas.

É cinco vezes maior que a católica Catedral da Sé, lá perto.

Há meio século os evangélicos são a religião que mais cresce no país. Nos últimos 20 anos, mais que triplicou o número de fiéis: de 7,8 milhões de pessoas em 1980 para 26,4 milhões em 2001, um pulo de 6,6% para 15,6% da população brasileira. Em algumas cidades, foram criados vagões de trem exclusivos para crentes, em que as pessoas podem viajar ouvindo pregações bíblicas. Em outras, não parece longe o dia em que eles representarão mais de 50% dos habitantes. Com mais de 400 anos de atraso, finalmente estamos sentindo os efeitos da Reforma protestante que varreu a Europa no século 16.

Um terreninho do Céu

Evangélicos, é importante esclarecer, é a mesma coisa que protestantes. As duas palavras são sinônimas. Ou seja, evangélicas são praticamente todas as correntes nascidas do racha entre o teólogo alemão Martinho Lutero e a Igreja Católica, em 1517 . O alemão estava especialmente chateado com o comportamento dos padres, que, segundo ele, tinham virado corretores imobiliários do céu, comercializando indulgências – vagas no Paraíso para quem pagasse.

Lutero abriu a primeira fenda no até então indevassável poder papal sobre as almas do Ocidente. A ele se seguiram outros. Na Inglaterra, o rei Henrique VIII criou sua própria dissidência do catolicismo – depois batizada de anglicanismo – só porque o papa não queria que ele se divorciasse e casasse de novo. Na Suíça, Ulrico Zwinglio e João Calvino aprofundaram as reformas de Lutero. Zwinglio pregava o princípio que fundamentaria todo o movimento: o cristão deve seguir apenas a Bíblia (os católicos aceitam influências de teólogos, como Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino). Já Calvino foi o responsável pela introdução do puritanismo, que combinava regras rígidas de conduta com uma fervorosa dedicação ao trabalho. No começo do século 20, o sociólogo alemão Max Weber publicou o texto clássico A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, no qual atribui a essa invenção de Calvino o sucesso do capitalismo em países evangélicos.

Todos esses movimentos estimulavam o fim do monopólio da Igreja sobre a interpretação da Bíblia. Cabia a todo e qualquer cristão ler as Escrituras e tirar delas o que quisesse. Os protestantes recusavam a idéia de que um único líder – o papa – deveria guiar os rumos da religião. Foi isso que começou a fragmentação do movimento em diversas correntes, com pequenas diferenças doutrinárias. Surgem os batistas, os metodistas, os presbiterianos…

Mas o Brasil colonial passou quase imune à avalanche protestante. Houve apenas algumas exceções, como os calvinistas franceses e holandeses que invadiram o país – o primeiro culto evangélico por estas terras foi celebrado por franceses no Rio de Janeiro, em 1557, só 57 anos depois da missa católica inaugural. Era proibido realizar cultos de qualquer religião que não o catolicismo no território português.

A liberdade religiosa no Brasil só veio com a independência, na Constituição de 1824, ainda que impondo restrições de que as reuniões acontecessem em locais que não tivessem “aparência exterior de templo”. No mesmo ano, alemães fundaram a primeira comunidade luterana do Brasil. Logo depois chegaram as correntes missionárias, como os metodistas, dispostas a pregar nas ruas para salvar almas. Eles caíram nas graças da elite intelectual republicana que, impressionada com a “ética protestante”, defendia a presença de evangélicos como condição para a modernização do país.

Mas os protestantes que prosperaram no Brasil pouco tinham a ver com a tal ética protestante de Weber. No início do século 20, a fundação de duas igrejas seria decisiva para definir o perfil evangélico nacional: a Congregação Cristã no Brasil, inaugurada em São Paulo pelo italiano Luigi Francescon, em 1910, e a Assembléia de Deus, aberta um ano depois em Belém pelos suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg. Apesar da origem européia, eles chegaram ao país via Estados Unidos, onde se envolveram com uma nova corrente protestante, o pentecostalismo, um grupo que crescia em popularidade por lá desde a virada do século.

Começou aí o que o sociólogo Paul Freston chama de “a primeira onda do pentecostalismo brasileiro”. O movimento era desaprovado tanto por católicos quanto pelos protestantes “históricos”, como são conhecidas as correntes diretamente ligadas a Lutero e Calvino. Nem uns nem outros gostavam da principal característica da doutrina pentecostal: a exacerbação dos poderes sobrenaturais do Espírito Santo (a palavra “pentecostalismo” vem de uma passagem da Bíblia que diz que, num dia de Pentecostes – a Páscoa judaica –, o Espírito Santo desceu aos apóstolos e começou a operar milagres). O mais notável desses poderes é a capacidade que Deus tem de curar imediatamente qualquer problema de saúde – daí as cenas de aleijados abandonando muletas e míopes pisando nos óculos. O pentecostalismo cresceu na classe baixa, promovendo cultos de adoração fervorosa e improvisada, bem dissonantes dos protestantes tradicionais, tão formais quanto contidos.

Para participar das novas congregações, os fiéis eram obrigados a se submeter a rígidas normas comportamentais. Os pentecostais eram os “crentes” estereotípicos: mulheres de cabelos compridos e saia, homens de terno e Bíblia na mão. As palavras essenciais para entender suas rotinas de vida são ascetismo, ou a recusa de usufruir os prazeres da carne, e sectarismo, o isolamento do restante da sociedade. Por trás delas, está a idéia de que o cristão deve se manter concentrado em Deus. Só assim ele pode evitar que o Diabo ganhe espaço na sua vida. Para os pentecostais, o mundo é simples: o que não é de Deus é o Diabo.

A Deus é Amor, aquela que  abriu um megatemplo no centro de São Paulo, é uma das mais rigorosas entre as pentecostais. Ela proíbe freqüentar praias, praticar esportes ou participar de festas. Às mulheres, é vetado cortar o cabelo e depilar. Crianças com mais de 7 anos não podem jogar bola, graças a um versículo bíblico que diz “desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança”. Tantas regras têm compensação: para os pentecostais, o melhor da vida está reservado aos fiéis para depois da morte.

Até a década de 50, esse modelo reinou sozinho no pentecostalismo nacional. Fez sucesso, mas ficou restrito a grupos relativamente pequenos. A chegada da “segunda onda”, no entanto, traria uma novidade. É o que se convencionou chamar de “neopentecostalismo”. Em 1951 desembarcou aqui a Igreja do Evangelho Quadrangular, inaugurando no país o pentecostalismo de costumes liberais. “Todas essas igrejas que fazem sucesso hoje são nossas filhas, netas ou bisnetas”, diz o pastor Neslon Agnoletto, do conselho nacional da Quadrangular. De fato, inovações como os hinos com ritmos populares, a forte utilização do rádio e regras de comportamento menos duras, todos ingredientes indispensáveis do “evangelismo de massas”, foram práticas importadas pela Quadrangular, fundada nos Estados Unidos em 1923.

Deus é um office-boy

Para resumir, neopentecostalismo quer dizer que Monique Evans, Gretchen e Marcelinho Carioca podem agora se considerar “crentes”. Para isso, algumas adaptações aconteceram: saem os homens de terno e as mulheres de pêlos nas pernas, entram pessoas que se vestem com roupas comuns e não se animam a seguir normas rígidas de conduta (veja na página 57 as diferenças entre pentecostais e neopentecostais). A primeira inovação foi riscar do mapa o ascetismo, o sectarismo e a crença de que a melhor parte da vida está reservada para o Paraíso. “A preocupação dos neopentecostais é com esta vida. O que interessa é o aqui e o agora”, afirma o sociólogo Ricardo Mariano, autor de Neopentecostais – Sociologia do Novo Pentecostalismo no Brasil.

Outra diferença é a radicalização da divisão do Universo entre Deus e o Diabo. Para os neopentecostais, os homens não são responsáveis pelos atos de maldade que cometem: é o Diabo que os leva a pecar. Numa sessão de descarrego da Igreja Universal, o pastor explicou que, se o fiel enfrenta um problema há mais de três meses, é provável que esteja carregando um encosto. “Se a dificuldade completar um ano, daí não há dúvida: a culpa é do demônio”, disse para a congregação. Ele não se referia só a entraves financeiros ou comportamentais. A receita vale para tudo, inclusive para doenças incuráveis. Assim, expulsar o demônio do corpo é a receita única para todos os males, de casamento infeliz até câncer no pulmão.

O ritual é feito aos gritos de “sai, capeta”, às vezes com lágrimas escorrendo pelo rosto e transes que terminam no exorcismo. Os cultos tornaram-se mais ativos, incluindo aplausos para Jesus e música gospel. Mas a inovação mais profunda do neopentecostalismo foi a aplicação da teologia da prosperidade, aquela exposta no primeiro parágrafo desta reportagem. Graças a ela, o neopentecostalismo ganhou o apelido de “fé de resultados”.

“A teologia da prosperidade faz o fiel encarar Deus como um office-boy”, diz o cientista da religião e pastor Paulo Romeiro, autor de Supercrentes – O Evangelho Segundo os Profetas da Prosperidade. “O crente dá ordens e determina o que pretende. Não há qualquer reconhecimento das fragilidades humanas e de suas necessidades em relação a um Deus superior”, afirma Romeiro. No Brasil, além da Universal, a Renascer em Cristo, a Sara Nossa Terra e a Internacional da Graça de Deus adotam a teologia da prosperidade.

A força de enxurrada com que o neopentecostalismo cresceu desorganizou todo o protestantismo. “Há uma verdadeira perda de identidade no movimento evangélico mundial. O pentecostalismo flexibilizou suas exigências comportamentais e até os protestantes históricos passaram a aceitar a participação mais ativa do fiel no culto e algumas manifestações sobrenaturais”, afirma o pastor batista Joaquim de Andrade, pesquisador da Agência de Informações da Religião. Mais e mais, boa parte do mundo protestante aceita a teologia da prosperidade.

A onda de mudança foi bater até onde a Reforma de Lutero não tinha chegado: nas praias do catolicismo. A influência neopentecostal sobre a renovação carismática católica é tão grande que seu maior expoente no Brasil, padre Marcelo Rossi, é acusado de ter gravado hinos religiosos tirados de templos evangélicos.

Mapa das religiões cristãs no Brasil:

Católicos

Paraíso

A salvação está nas obras que se realizam durante a vida

Dinheiro

Condenam o lucro. A riqueza afasta os homens de Deus e do Paraíso

Doutrina

Ao lado da Bíblia, aceitam as reflexões de teólogos como base da doutrina

Maria

Acreditam na santidade de Maria, a mãe virgem de Deus

Imagens

Conferem valor sagrado para estátuas que representam santos

Celibato

O sacerdócio pode ser realizado apenas por homens com voto de celibato

Liderança

O papa é seu líder infalível, sucessor de São Pedro

Interpretação

A interpretação da Bíblia é exclusividade dos bispos e dos teólogos

Evangélicos

Paraíso

A salvação está na fé: basta aceitar Jesus para ter lugar no Paraíso

Dinheiro

A prosperidade é sinal de que o fiel está predestinado à felicidade eterna

Doutrina

Recusam qualquer ensinamento que não venha diretamente da Bíblia

Maria

Recusam a santidade de Maria, sua virgindade e sua ascensão aos céus

Imagens

Rejeitam qualquer forma de santidades e representações

Celibato

O sacerdócio é exercido por homens e mulheres, que podem constituir família

Liderança

Recusam a liderança e a infalibilidade do papa

Interpretação

Todo fiel pode (e deve) ler e estudar sozinho a Bíblia

Metade dos 2 bilhões de cristãos é católica e 10% são ortodoxos. Os outros 40% são evangélicos (ou protestantes). E as novas igrejas pentecostais e neopentecostais cresceram tanto que já são quase metade dos evangélicos – ou 19% da cristandade.

ORTODOXOS

Quando a cristandade se parte em duas, nasce essa nova religião, graças a discordâncias sobre questões teológicas pontuais, como o papel das imagens de Cristo. Menos centralizada que o catolicismo, a religião foi se fragmentando: as igrejas ortodoxas russa e grega são hoje as duas principais

CISMA DO ORIENTE

A separação do Império Romano entre o oriental e o ocidental, seguida da derrocada deste último, criou as condições para a primeira grande cisão do cristianismo, em 1054 – em grande medida uma disputa de poder entre o papa de Roma e o patriarca de Constantinopla, a capital do lado oriental

CRISTO

Embora a Igreja atribua ao apóstolo Pedro a sua fundação, a cristandade primitiva pouco mais era que um punhado de grupos autônomos. Como o centro do mundo era Roma, era natural que a cidade fosse se tornando também a “capital” da Igreja, com o crescente poder do papa

CATÓLICOS

Os católicos romanos mantêm-se subordinados ao poder centralizado do papa. Suas principais diferenças com os demais segmentos da religião estão relacionadas à crença em santos e às representações da imagem de Cristo. As maiores populações católicas, hoje, estão na América

PROTESTANTES

PROTESTANTISMO

Em 1517, Lutero denunciou falhas na condução do cristianismo. A polêmica acabou dando origem ao terceiro grande ramo do cristianismo, ao lado da Igreja Católica e da Ortodoxa. Como os protestantes (ou evangélicos) combatem a centralização papal, acabaram se fragmentando em muitas denominações

NEOPENTECOSTAIS

Diferem dos pentecostais pela liberalização dos costumes e a teologia da prosperidade. Embora sejam só uma folhinha recente num ramo secundário desta árvore, são responsáveis pela explosão mundial evangélica

PENTECOSTAIS

Surgidos nos EUA (onde batistas e metodistas são fortes), se espalharam por regiões pobres. Aceitam manifestações do Espírito Santo, como a capacidade de curar doentes. No Brasil, são conhecidos pelos costumes rígidos

METODISTAS

Discípulos de John Wesley, que deixou a Igreja Anglicana para pregar nas ruas da Inglaterra. O nome é inspirado no grupo estudantil liderado por Wesley, chamados de “metódicos” por sua estrita observância religiosa

LUTERANOS

O movimento iniciado por Lutero está diretamente ligado aos primeiros ideais protestantes. A nova religião libera a comunhão com Deus para todos os indivíduos, sem a intervenção de sacerdotes, elimina os rituais considerados não bíblicos e permite a leitura da Bíblia na língua local

BATISTAS

Como surgiram na Inglaterra, podem ser considerados dissidência do anglicanismo. Rejeitam o batismo infantil e adotam o “batismo de fé” de adultos (que são imersos em água)

ANGLICANOS

A religião surgiu só para satisfazer o rei Henrique VIII, que queria se divorciar, contra a vontade do papa, e nomeou-se “Chefe Supremo da Igreja da Inglaterra”

CONGREGACIONALISTAS

CALVINISMO

Se Lutero pregava mudanças dentro do catolicismo, João Calvino não tinha dúvidas: queria reformar a religião, em busca de uma maior observância à Bíblia e a princípios morais rígidos. Seus seguidores fundaram o presbiterianismo e o congregacionalismo

MÓRMONS, ADVENTISTAS E TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

FOLHAS SOLTAS

Os mórmons, adventistas e testemunhas de Jeová nasceram no protestantismo, mas geralmente não são considerados evangélicos porque, além da Bíblia, baseiam as doutrinas também em escrituras modernas

Pentecostalismo

QUEM É – Congregação Cristã no Brasil, Deus é Amor, Assembléia de Deus, Brasil para Cristo

PARAÍSO – A vida na Terra é uma fase de espera. Qualquer sofrimento é mínimo se comparado às maravilhas do céu

DÍZIMO – O fiel deve dar à Igreja regularmente 10% de seu salário, como determina a Bíblia

PRAZERES – Quem é atraído por prazeres mundanos está se concentrando menos em Deus – e abrindo espaço para o Diabo

SEXO – Sexo serve para reprodução. Quem busca prazer sexual está se entregando ao demônio

VIDA SOCIAL – Deve ficar restrita à comunidade. Álcool e música que não fala de Deus não são para crentes

APARÊNCIA – Algumas igrejas impõem trajes formais e proíbem a depilação e o corte de cabelo. Crianças não podem brincar

TABUS – Adultério, homossexualismo e aborto são inaceitáveis

Neopentecostalismo

QUEM É – Universal, Evangelho Quadrangular, Sara Nossa Terra, Internacional da Graça de Deus, Renascer

PARAÍSO – Após a morte, todo cristão será recompensado com o Paraíso. Mas é possível vivê-lo na Terra, recebendo as graças de Deus

DÍZIMO – Idem, mas pagando o dízimo o fiel ganha o direito de exigir que Deus o recompense

PRAZERES – Não há nada de errado em se divertir, desde que isso seja feito de forma moderada, sem excessos

SEXO – Prazer sexual é uma bênção de Deus, desde que a relação aconteça entre marido e mulher

VIDA SOCIAL – Não se deve beber nem fumar, mas não é necessário se isolar da sociedade

APARÊNCIA – A escolha da roupa é uma questão de gosto pessoal. Usar maquiagem e ser moderadamente vaidoso não é proibido

TABUS – Idem, idem, idem

Para o fiel virar pastor, o importante é ter carisma. Até há pouco tempo, nem mesmo a formação teológica era exigida – algo que vem mudando. Certamente, as chances de um pastor ganhar dinheiro são proporcionais ao seu talento em arrecadar. Cada denominação estabelece seu sistema de organização e escolhe o nome dos cargos – o espírito de liberdade protestante ainda é levado a sério. No quadro abaixo, usamos como exemplo o “plano de carreira” da Igreja do Evangelho Quadrangular

Diácono

É o encarregado pelo bem-estar durante os cultos. Cuida da organização do templo, atende novos fiéis e faz a triagem dos casos que serão encaminhados para o pastor. É a única função permitida aos leigos. O trabalho é voluntário

Obreiro

Auxilia o pastor comandando encontros religiosos residenciais, visitando doentes e pregando em novas congregações. Apenas os formados no Instituto Teológico da Quadrangular podem exercer a função. Não há salário

Aspirante ao ministério

Obreiros com carisma e vocação para pregar, com pelo menos quatro anos de experiência, são convidados a comandar cultos na ausência do pastor principal. Esse trabalho também é voluntário

Pastor local

Depois de dois anos como assistente, o sujeito pode comandar os cultos, administrar o templo e atender a congregação – e passa finalmente a ganhar por isso. A remuneração é proporcional ao tamanho do templo e, claro, à sua arrecadação

Superintendente

Pastor responsável por um templo de importância local. Também é encarregado pelo monitoramento de outros templos menores da mesma região

Diretor

Integra a cúpula nacional, formada por dez pastores eleitos anualmente. Decide os rumos administrativos e religiosos da Quadrangular

ASSEMBLÉIA DE DEUS

Orientação: pentecostal

Fiéis: 8,4 milhões

Fundação: 1911

Principais áreas de atuação: Rio de Janeiro e São Paulo

Crescimento anual**: 14,8%

IGREJA BATISTA

Orientação: tradicional

Fiéis: 3,1 milhões

Fundação: 1889 (no Brasil)

Principais áreas de atuação: Rio de Janeiro

Crescimento anual**: não disponível

CONGREGAÇÃO CRISTÃ NO BRASIL

Orientação: pentecostal

Fiéis: 2,5 milhões

Fundação: 1910

Principais áreas de atuação: São Paulo e Paraná

Crescimento anual**: 4,8%

IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS

Orientação: neopentecostal

Fiéis: 2,1 milhões

Fundação:1977

Principais áreas de atuação: Rio de Janeiro e São Paulo

Crescimento anual**: 25,7%

IGREJA DO EVANGELHO QUADRANGULAR

Orientação: neopentecostal

Fiéis: 1,3 milhão

Fundação: 1951 (no Brasil)

Principais áreas de atuação: Belo Horizonte e Curitiba

Crescimento anual**: 15,8%

* Fonte: Atlas da Filiação Religiosa e Indicadores Sociais no Brasil/IBGE

** Entre 1991 e 2000

Na livraria:

Neopentecostais, Ricardo Mariano, Loyola, 1999

Igreja Universal do Reino de Deus, Ari Pedro Oro, André Corten e Jean-Pierre Dozon (organizadores), Paulinas, 2003

Evangélicos e Mídia no Brasil, Alexandre Brasil Fonseca, Edusf/Ifan/Faculdade São Boaventura, 2003

Supercrentes, Paulo Romeiro, Mundo Cristão, 1993

A Realidade Social das Religiões no Brasil, Antônio Flávio Pierucci e Reginaldo Prandi, Hucitec, 1996

Os Evangélicos, Clara Mafra, Jorge Zahar, 2001

Bíblia Sagrada

Na internet:

http://www.worldchristiandatabase.org, Um excelente censo mundial de cristãos

http://www.centrodametropole.org.br/textos.html, Análises sobre o crescimento evangélico nas metrópoles

~ por fernandaregina em 9 de fevereiro de 2010.

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